Fim da escala 6×1 pode aumentar em até 30% a demanda por galpões logísticos

Mudança na jornada de trabalho pode acelerar a expansão do comércio eletrônico, aumentar a procura por centros de distribuição e exigir adaptações financeiras e operacionais das empresas.

O fim da escala de trabalho 6×1 poderá provocar transformações importantes no setor de logística e no comércio atacadista brasileiro. Segundo projeção da Sort Investimentos, gestora especializada em ativos imobiliários, a demanda por galpões logísticos no país pode crescer até 30%, impulsionada pela reorganização das operações comerciais e pelo avanço do comércio eletrônico.

A estimativa ganhou destaque no início de novembro de 2026, em um momento de adaptação das empresas à nova legislação trabalhista. A redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial, poderá alterar a distribuição de custos operacionais e incentivar investimentos em automação, armazenagem e centros de distribuição.

Embora o percentual de 30% represente uma projeção de mercado, e não um crescimento já confirmado, o cenário reforça a importância do planejamento financeiro e da gestão estratégica para empresas que dependem de operações logísticas.

O que muda com o fim da escala 6×1?

A Emenda Constitucional nº 141, promulgada em 16 de outubro de 2026, estabeleceu a transição da escala 6×1 para um modelo com cinco dias de trabalho e dois de descanso semanal.

A implementação será gradual. Após o período inicial de 60 dias, previsto para dezembro de 2026, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas. Ao final de 14 meses, o limite passará a ser de 40 horas semanais, sem redução salarial.

A legislação também prevê possibilidades de compensação de horários mediante negociação coletiva, observadas as condições legais.

Para empresas que mantêm operações durante seis ou sete dias por semana, a mudança exige uma avaliação da distribuição de turnos, da produtividade e da necessidade de pessoal para preservar a continuidade das atividades.

Por que a demanda por galpões logísticos pode crescer 30%?

A projeção da Sort Investimentos está relacionada à possibilidade de aceleração da migração de investimentos do varejo físico para o comércio eletrônico.

Estabelecimentos comerciais que precisam manter equipes durante períodos prolongados poderão enfrentar a necessidade de reorganizar suas escalas ou ampliar seus quadros de funcionários.

Nesse contexto, operações digitais com estoques centralizados e processos automatizados podem ganhar espaço nas estratégias empresariais.

Os centros de distribuição permitem concentrar mercadorias, organizar entregas e atender diferentes regiões a partir de uma estrutura logística integrada.

Com a possível expansão desse modelo, a procura por imóveis destinados ao armazenamento, à movimentação de cargas e à distribuição de produtos poderá aumentar.

A Sort Investimentos, que administra mais de R$ 3 bilhões em ativos logísticos, estima um crescimento de até 30% nessa demanda. Entretanto, a concretização do cenário dependerá das decisões de investimento das empresas e do desempenho do comércio eletrônico.

Mercado de galpões já apresenta ocupação elevada

O setor imobiliário logístico chega a esse período de mudanças com indicadores de demanda aquecida.

De acordo com dados da consultoria CBRE divulgados pela revista Veja, a taxa de vacância dos galpões logísticos em São Paulo caiu para aproximadamente 4% no terceiro trimestre de 2026.

Nos primeiros nove meses do ano, foram locados cerca de 3 milhões de metros quadrados, um recorde para o período. O comércio eletrônico respondeu por mais da metade das locações, enquanto os valores pedidos para aluguel de imóveis logísticos de alto padrão registraram alta de 8% em relação a 2025.

Esses indicadores mostram que a expansão da demanda poderá ocorrer em um mercado que já apresenta disponibilidade limitada de espaços em determinadas regiões.

Quais são os impactos para o comércio atacadista e as empresas de logística?

Para empresas atacadistas, distribuidoras e operadores logísticos, a mudança na jornada de trabalho exige atenção a fatores que vão além da gestão de funcionários.

A reorganização operacional poderá afetar diferentes áreas do negócio, especialmente:

  • Custos trabalhistas: revisão das escalas, avaliação de horas extras e eventual necessidade de novas contratações.
  • Gestão de estoques: planejamento da armazenagem e da movimentação de mercadorias para manter a eficiência operacional.
  • Custos imobiliários: análise dos gastos com locação, ampliação ou modernização de centros de distribuição.
  • Automação e tecnologia: investimentos em sistemas de controle de estoque, separação de pedidos e gestão logística.
  • Planejamento financeiro: revisão de margens, despesas operacionais e necessidades de capital de giro.
  • Contratos comerciais: avaliação de prazos de entrega, custos de distribuição e compromissos assumidos com clientes e fornecedores.

A intensidade desses efeitos dependerá do porte da empresa, do modelo de operação, das convenções coletivas aplicáveis e da estrutura atual de mão de obra.

Planejamento contábil e financeiro será fundamental

Diante desse cenário, o planejamento contábil ganha relevância para as empresas que precisam adaptar suas operações sem comprometer a rentabilidade.

Uma das principais medidas será avaliar o impacto da nova jornada sobre a folha de pagamento e o custo total das atividades. Essa análise deve considerar as necessidades de pessoal, os encargos trabalhistas e a capacidade produtiva de cada operação.

Também será importante revisar o orçamento empresarial, considerando possíveis investimentos em infraestrutura, tecnologia e expansão logística.

Empresas que pretendem ampliar centros de distribuição deverão analisar a viabilidade financeira dos projetos, os custos de ocupação e os efeitos sobre o fluxo de caixa.

Além disso, uma gestão integrada entre os setores contábil, financeiro e de departamento pessoal poderá contribuir para decisões mais seguras durante a transição.

Como as empresas podem se preparar?

A adaptação à nova jornada deve começar pelo diagnóstico das operações atuais.

Identificar quais atividades exigem funcionamento contínuo, avaliar a produtividade das equipes e revisar os custos de cada etapa da operação são medidas importantes para dimensionar os possíveis impactos.

No comércio atacadista, também será necessário observar a relação entre capacidade de armazenagem, volume de pedidos e prazos de distribuição.

A adoção de ferramentas de gestão e automação poderá contribuir para melhorar a eficiência, mas cada investimento deverá ser avaliado conforme a realidade financeira da empresa.

O acompanhamento das normas trabalhistas e das negociações coletivas também será essencial para garantir que as mudanças sejam implementadas corretamente.

O que esperar do setor logístico em 2027?

A combinação entre a redução da jornada de trabalho, o crescimento do comércio eletrônico e a elevada ocupação dos galpões logísticos poderá influenciar decisões de investimento ao longo de 2027.

Para empresas do comércio atacadista e da distribuição, o desafio será equilibrar produtividade, custos operacionais e capacidade de atendimento.

A projeção de crescimento de até 30% na demanda por galpões não representa uma garantia de expansão, mas sinaliza uma possível transformação na organização das cadeias de abastecimento brasileiras.

Nesse cenário, empresas que acompanharem as mudanças trabalhistas e mantiverem um planejamento contábil e financeiro atualizado estarão mais preparadas para avaliar riscos, identificar oportunidades e adaptar suas operações.

A Contatur Rio acompanha as mudanças econômicas, tributárias e trabalhistas que impactam a gestão empresarial, oferecendo suporte contábil e estratégico para negócios de diferentes segmentos.

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