Operação Fármacos II identifica R$ 1,8 bilhão em créditos potencialmente irregulares e estabelece prazo até 20 de janeiro de 2027 para autorregularização.
A Receita Federal anunciou, em 3 de novembro de 2026, a segunda fase da Operação Fármacos, iniciativa voltada à revisão de pedidos de ressarcimento e compensações tributárias relacionados a créditos presumidos de PIS/Pasep e Cofins sobre produtos farmacêuticos.
A ação identificou aproximadamente R$ 1,8 bilhão em créditos potencialmente incompatíveis com a legislação, envolvendo cerca de 1.600 contribuintes e 10 mil pedidos de ressarcimento.
O objetivo inicial é orientar as empresas sobre possíveis inconsistências e incentivar a regularização espontânea antes da adoção de medidas fiscais. Receita Federal
O que motivou a revisão da Receita Federal?
A fiscalização identificou pedidos de créditos presumidos apresentados por empresas cujas atividades econômicas, em princípio, não possuem relação com a produção ou importação dos medicamentos contemplados pelo benefício fiscal.
Entre os segmentos identificados estão:
- Comércio atacadista de alimentos, frutas e verduras;
- Empresas de instalação e manutenção elétrica;
- Transportadoras rodoviárias;
- Minimercados e mercearias.
A legislação estabelece critérios específicos para a utilização dos créditos presumidos sobre medicamentos, incluindo requisitos relacionados à atividade econômica, habilitação e demais condições regulamentares.
Por isso, a Receita está verificando se os contribuintes que solicitaram o benefício realmente possuem direito aos valores informados.
R$ 1,8 bilhão em créditos estão sob análise
De acordo com os dados divulgados pela Receita Federal:
Créditos identificados
R$ 1,8 bi
Contribuintes envolvidos
1.600
Pedidos de ressarcimento
10 mil
Créditos utilizados em compensações
R$ 1,2 bi
Além desses valores, a fiscalização identificou aproximadamente R$ 439 milhões em compensações não declaradas. Os números representam o universo analisado pela operação e não significam que todos os créditos já tenham sido definitivamente considerados indevidos.
Empresas têm até 20 de janeiro de 2027 para regularização
A Receita Federal já iniciou o envio de comunicados aos contribuintes abrangidos pela operação.
As empresas que identificarem créditos incompatíveis com os requisitos legais deverão corrigir as informações apresentadas e cancelar os pedidos de restituição, ressarcimento ou compensação (PER/DCOMP) indevidos.
O prazo estabelecido para autorregularização termina em 20 de janeiro de 2027.
Após as correções, a Receita realizará uma nova verificação automática das informações.
A manutenção de créditos indevidos poderá resultar em indeferimento de pedidos, não homologação de compensações, cobrança de tributos, multas, juros e demais encargos previstos na legislação.
Quais empresas precisam ficar atentas?
Embora a operação esteja relacionada a benefícios fiscais sobre medicamentos, seus efeitos podem alcançar empresas de outros setores que tenham solicitado ou utilizado esses créditos sem preencher os requisitos legais.
A revisão merece atenção especialmente de indústrias farmacêuticas, importadoras de medicamentos e empresas que realizaram compensações tributárias utilizando créditos presumidos relacionados ao setor.
Empresas comerciais e prestadoras de serviços também devem verificar eventuais operações dessa natureza, principalmente quando os créditos tenham sido identificados por consultorias ou intermediários.
É importante destacar que a operação não representa o cancelamento generalizado dos benefícios fiscais do setor farmacêutico. O foco está na identificação de utilizações incompatíveis com a legislação.
Como evitar riscos fiscais?
Diante da intensificação dos cruzamentos eletrônicos realizados pela Receita Federal, as empresas precisam manter controles rigorosos sobre seus créditos tributários.
Entre as medidas recomendadas estão a revisão dos pedidos de compensação, a conferência da documentação que fundamenta os créditos, a análise da legislação aplicável e o acompanhamento das comunicações oficiais da Receita.
Também é fundamental avaliar se os valores utilizados estão devidamente registrados nas obrigações fiscais e se a empresa atende aos requisitos para usufruir dos benefícios.
Uma revisão preventiva pode ajudar a identificar inconsistências antes que elas resultem em cobranças e penalidades.
Como a Contatur Rio pode ajudar sua empresa?
A correta utilização de créditos tributários exige conhecimento técnico, acompanhamento da legislação e atenção aos procedimentos exigidos pela Receita Federal.
A Contatur Rio Contabilidade oferece suporte especializado para empresas que precisam revisar suas apurações, avaliar riscos fiscais e manter suas obrigações tributárias em conformidade com a legislação.
Com planejamento tributário e acompanhamento contábil, é possível identificar oportunidades legítimas de economia fiscal, reduzir riscos e proporcionar maior segurança às decisões empresariais.
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