Fim da escala 6×1: hotelaria e parques alertam para impactos no turismo

Legislação Trabalhista e Turismo

Com a mudança na jornada de trabalho, entidades do turismo defendem medidas para reduzir custos, preservar empregos e manter a operação de hotéis, resorts e parques.

O fim da escala 6×1 agora está na Constituição. Nesta sexta-feira (16), o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional nº 141/2026, que cria uma transição para a jornada de 40 horas semanais com dois dias de descanso, sem redução salarial.

A mudança é um avanço para os trabalhadores. Ela também exige atenção redobrada dos setores que funcionam todos os dias, como a hotelaria e o turismo.

Entidades como ABIH, FOHB, Resorts Brasil e Sindepat manifestaram preocupação com os impactos operacionais e financeiros e defendem medidas específicas para o setor.

1. O que muda com o fim da escala 6×1?

A transição será gradual, para que as empresas possam reorganizar suas atividades.

RegraAntesNova regra
Escala de referência6×15×2
Jornada semanal máxima44 horas42 horas na 1ª etapa; 40 horas ao fim da transição
Descanso semanal remunerado1 dia2 dias
Salário—Sem redução
Acordos e convenções coletivasRegras vigentesCláusulas contrárias à emenda perdem efeito em 60 dias

Fontes: Agência Senado e Agência Brasil.

2. Quando as mudanças começam?

Os prazos contam a partir da publicação da emenda:

  • Até meados de dezembro de 2026: continua valendo o limite de 44 horas semanais.
  • 60 dias após a publicação (meados de dezembro de 2026): começa a escala 5×2, com limite de 42 horas semanais.
  • Cerca de 14 meses após a publicação (dezembro de 2027): passa a valer o limite definitivo de 40 horas semanais.

As datas exatas dependem da publicação oficial da emenda.

3. Por que a hotelaria e os parques estão preocupados?

Diferentemente das empresas que funcionam só em horário comercial, hotéis, resorts e parques turísticos precisam de equipes em operação nos fins de semana, nos feriados e na alta temporada.

Por isso, a redução da jornada pode exigir mudanças no dimensionamento das equipes e no planejamento financeiro.

Área impactadaPossíveis consequências
Folha de pagamentoAumento dos custos para manter a cobertura dos turnos
Recursos humanosNecessidade de contratações e reorganização de escalas
OperaçãoAjustes para manter o atendimento diário
PreçosPossível pressão sobre tarifas e serviços
Gestão trabalhistaRevisão de contratos, controles de jornada e acordos coletivos

Esses impactos são possibilidades e variam conforme o porte, a estrutura e a operação de cada empresa.

Ponto de atenção para operações contínuas: a emenda permite compensar os descansos, desde que a média seja de dois dias de folga por semana no mês e haja pelo menos uma folga a cada sete dias. Durante a transição, acordos ou convenções coletivas também podem ampliar a jornada diária para encaixar as 42 horas semanais, mantidos os dois dias de descanso. Essas regras dão alguma flexibilidade para montar as escalas.

4. O que as entidades do turismo defendem?

Representantes do setor apresentaram três demandas centrais:

  • Desoneração da folha de pagamento: medidas para aliviar os custos trabalhistas e preservar a competitividade das empresas.
  • Regras específicas para o turismo: tratamento adequado para atividades que precisam funcionar continuamente, inclusive em feriados e fins de semana.
  • Transição adequada: condições para ajustar equipes, processos e orçamentos sem comprometer o atendimento.

Essas são reivindicações do setor. Até o momento, nem a desoneração nem regras diferenciadas para o turismo foram aprovadas.

5. Exemplo prático: como a redução da jornada pode afetar um hotel?

Imagine um hotel que precisa cobrir 440 horas de trabalho por semana em um conjunto de funções.

Jornada semanal máximaEquivalente em profissionais
44 horas10,0
42 horas10,5
40 horas11,0

Cálculo simplificado: 440 horas divididas pela jornada máxima semanal. Não considera férias, afastamentos, intervalos nem a distribuição dos turnos. Os valores indicam equivalência de pessoal e não significam necessariamente novas contratações.

Nesse cenário, a mesma cobertura que hoje é feita por 10 profissionais de 44 horas exigiria o equivalente a 11 profissionais com jornada de 40 horas. Esse ajuste pode vir de novas contratações, horas extras, reorganização das escalas ou de uma combinação dessas alternativas.

A simulação mostra por que o planejamento de equipes ganha importância, sobretudo em operações com atendimento contínuo.

6. Como preparar sua empresa?

O Departamento Pessoal e a contabilidade terão papel fundamental na transição.

O que revisarPor que é importante?
Escalas e turnosGarantir a cobertura operacional e os descansos obrigatórios
Folha de pagamentoProjetar custos e encargos
Contratos de trabalhoVerificar a adequação às novas regras
Convenções e acordos coletivosIdentificar cláusulas que precisam ser renegociadas em até 60 dias
Planejamento financeiroAntecipar os impactos no orçamento

O que o gestor deve fazer agora?

O primeiro passo é diagnosticar a operação atual. Identificar as funções críticas, simular diferentes escalas e revisar os custos de pessoal facilita a adaptação.

A mudança também mostra a importância de integrar a gestão contábil, financeira e trabalhista.

7. Sua empresa está preparada para a nova jornada?

Para hotéis, resorts, parques e demais empresas do turismo, o desafio será cumprir a legislação, valorizar os profissionais e manter as operações funcionando.

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